• Da pré-história dos quadrinhos ao pós-modernismo gibístico!

    Quadrinhos para conhecer o mundo




    Castro, de Reinhard Kleist, retrata Cuba através do olhar do personagem fictício Karl Metens sobre Fidel Castro, falecido recentemente. Quer você concorde com suas ideias ou não, a verdade é que Fidel cunhou seu nome nos livros de História, e você ou seus filhos e netos ainda ouvirão falar muito dele, de Che, de Nixon e do regime de Batista. Então por que não ler sobre quem foi esta figura controversa em forma de quadrinho? Kleist, alemão (que já escreveu sobre Elvis Presley, Johnny Cash e até Nick Cave), passou um período em Cuba em 2008 e teve a colaboração do biógrafo Volker Skierka na pesquisa. Em entrevista ao Correio Brasiliense, diz que sabe que Fidel gostou da obra - que inclui o quadrinho Havana -, "apesar de ter algumas críticas pontuais".

    12 de Setembro. Trecho: "Quando o governo Bush declarou guerra contra essa coisa chamada “terrorismo”, eu não podia imaginar que duraria tanto tempo. Sempre achei que o terrorismo fosse uma tática, não um inimigo. Também estava longe de imaginar que essa guerra pudesse transformar nossa sociedade relativamente aberta em um Estado securitário totalmente fechado. Mas muitos americanos foram realmente aterrorizados (não por camicases fanáticos, mas pelo próprio governo americano, pelos lobistas das multinacionais e pela mídia tradicional), de modo que todo o país passou a ver inimigos por todo o lado. E assim acreditamos que era preciso fazer guerra no mundo inteiro, até em nosso solo, de um modo mais ou menos permanente. Com isso, além de um Estado polícia nos tornamos um Estado guarnição."  

    "Maus é um livro que ninguém consegue largar. Quando os dois ratos falam de amor, você se emociona; quando eles sofrem, você chora." - Umberto Eco
    "Um triunfo modesto, emocionante e simples - impossível descrevê-lo com precisão. Impossível realizá-lo em qualquer outro meio que não os quadrinhos." - Washington Post
    "Uma história épica contada em minúsculos desenhos." - New York Times
    "Uma obra de arte brutalmente tocante." - Boston Globe
    "A narrativa mais comovente e incisiva já feita sobre o Holocausto." - Wall Street Journal
    "Maus é uma obra-prima. Como todas as grandes histórias, diz mais sobre nós mesmos do que poderíamos imaginar." - The Guardian

    Uma História de Sarajevo, de Joe Sacco. Talvez seja necessário ler antes Área de Segurança Gorazde, para uma melhor compreensão do contexto em que se encontra Neven, guia de Sacco em Uma História de Sarajevo. E o que dizer de Sacco? Temerário, corajoso, masoquista ou apenas um jornalista diante dos extremos humanos, como tantos outros que estão morrendo agora, em pequenos infernos sobre a Terra como a cidade síria de Aleppo - pra citar uma tragédia deste momento em que escrevo? "Depois de trabalhar tanto tempo com conflitos, eu fiquei meio cansado das zonas de guerra, porque, se não vi tudo, já vi demais", disse o quadrinista em entrevista na FLIP. Sacco, você precisa morar no Brasil.


    Sinopse de Gorazde: "Durante a Guerra da Bósnia, a imprensa mundial realizou uma maciça cobertura da tragédia. Sarajevo tornou-se parte do grande espetáculo mundial. No entanto, na parte oriental do país, a população muçulmana era vítima de selvagerias impostas pelas forças sérvias, que atacavam com uma crueldade impressionante. A ONU decidiu agir, criando as "áreas de segurança" nos territórios onde se confinavam os muçulmanos. Esses locais se tornaram os mais perigosos do país, devido ao cerco dos sérvios da Bósnia, que realizavam ataques constantes. Numa dessas áreas, enquanto a comunidade internacional ignorava o assunto e voltava as costas para o problema, a limpeza étnica atingiu seu auge sangrento. Essa cruel realidade é revelada em Área de Segurança Gorazde."

    Sinopse de Palestina: "O livro é resultado de uma longa viagem que o autor fez ao Oriente Médio. Durante dois meses, Sacco coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados. Presenciou violentos confrontos dos soldados com a população e entrevistou vítimas de tortura. Conversou com militantes, com outros já conformados com a situação, com velhos e crianças. Ainda que Sacco não disfarce sua simpatia pela causa palestina, o livro está bem longe de poder ser considerado propaganda. Tem muito humor, auto-ironia e nuances para isso."

    Depois da Palestina, vamos seguir para Crônicas de Jerusalém, obra recente do canadense Guy Delisle, cujo imperativo de ter que acompanhar a esposa (membro da ONG Médicos Sem Fronteiras) na Faixa de Gaza nos brindou com mais uma obra (ver abaixo as outras) repleta de situações cotidianas (para os nativos) e singulares para o autor, como a proximidade entre residências palestinas e judias e pedras vindas do nada. Guarda: - "Não é permitido comer fermento durante a pessach [festa judaica que comemora a fuga dos hebreus].", Autor-personagem (acompanhado dos filhos): - Mas ainda não é pessach, só começa no fim de semana, - "Sim, mas por segurança, nós começamos antes. Nunca se sabe.", - "Mas eu não sou judeu.", - "Ah, ah, eu sei..." Genial.

    Tenho que fazer um parenteses sobre a editora Nemo, que publicou esta obra. [Pasquale berrando: "não se começa um parágrafo com parenteses!"]. Ok, ok, O mundo de Aisha, de Ugo Bertotti e Agnes Montanari, fala do que está no subtítulo: a revolução silenciosa das mulheres no Iêmen. Pronto, aí vai meu parentese: faz um bom tempo que a Nemo dá show em relação a lançamentos dos melhores quadrinhos atuais e clássicos. Nas listas de melhores quadrinhos de cada ano, uma boa quantidade pertence ao catálogo da Nemo, todos com ótimo acabamento gráfico e esmero editorial, das obras antigas de Moebius e Enki Bilal às recentemente lançadas e elogiadas Desconstruindo Una e A Gigantesca Barba do Mal. Parabéns à editora.

    "Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos [...]. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar." (Companhia das Letras).

    Resultado de mais de um ano morando na Birmânia, Crônicas Birmanesas retrata um dos lugares mais exóticos e fora de guias do planeta. Dono de um traço claro e um senso de ironia e sarcasmo acidamente refinado, Delisle produz o tipo de obra que você lê duas, três, quatro vezes enquanto pesquisa e checa a veracidade de suas observações, tal o absurdo que se apresenta. Seus quadrinhos são pontuados de referências sociais e culturais, e se você ainda não pisou (quem nunca) na Birmânia ou Myanmar agora não pode se queixar de falta de oportunidade pra conhecer. Quem sabe lendo a HQ se trava conhecimento com o drama dos seus refugiados de minoria étnica e de crianças como Mohammed Shohayet (sim, pesquise, mas já aviso que você vai ficar de mau humor).
    Enquanto trabalhou em estúdios de animação na Ásia, Delisle fez dos quadrinhos o seu caderno de anotações, uma espécie de diário. "E tinha estado na China antes, em 1998 e depois em Shenzhen em 2000. Tinha que tomar notas para não me esquecer de tudo o que vivia. Mais tarde, quando chegava a casa e revia as minhas notas, pensava que poderia fazer uma pequena Banda Desenhada. O que começou como uma pequena história foi convertendo-se em um capítulo, e logo depois outro, e por aí adiante. No final deu um livro completo, apesar de um pouco underground". Cabe lembrar que deve-se contextualizar toda a obra de Guy Delisle com a época de suas visitas a estes países, afinal as coisas podem ter mudado. Ou não.

    "Em Pyongyang, Delisle traça um retrato irônico e crítico da Coreia do Norte, apresentando seu testemunho único do país, dos habitantes, dos costumes, da situação de expatriado e do regime totalitário de Kim Jong-Il, a única dinastia comunista do mundo. Com a companhia constante e obrigatória de um guia e um tradutor, ele percorre a capital e arredores com seu olhar de artista, vendo além do que é cuidadosamente selecionado para ser apresentado aos raros visitantes estrangeiros. Uma visão ao mesmo tempo pessoal e informativa sobre a Coreia do Norte, onde os jornalistas não são bem-vindos, e nem Guy Delisle, depois desta graphic novel." (Zarabatana Books). Delisle é do tipo que não se importa com isso.

    Keiji Nakazawa, o autor de Gen - Pés Descalços, recentemente falecido (2012), "apenas" nasceu em 1939 em Hiroshima. Teve como cartão de visita ao mundo o deflagrar da Segunda Guerra Mundial e aos seis anos uma bomba atômica sobre sua cabeça, experiências que registrou em sua extensa obra, que inclui filmes, animações e até ópera. Gen é um quadrinho tenso e denso, de cerca de 2500 páginas, dividido em dez tomos, contando a saga do inocente Gen Nakaoka e sua família durante a guerra. Dono de uma visão peculiar sobre o ocorrido, Nakazawa não levanta a bandeira do vitimismo e em entrevistas lembra que as bombas fizeram os japoneses abraçarem o pacifismo, após atrocidades que cometeram na China, Coréia e na Ásia em geral.
               
    E aqui estamos: Brasil! André Toral, antropólogo e historiador com longa carreira nos quadrinhos, tendo publicado nas lendárias revistas Animal, Circo, Lúcifer e Chiclete com Banana entre outras, dá em Os Brasileiros seu olhar sobre História do Brasil. Toral sabe do que fala, tanto por força de sua formação acadêmica como pelo seu contato e experiência com povos indígenas. Gosto do título da obra na medida em que os protagonistas são os índios em sua relação histórica de séculos com outros povos que se impõem nos territórios, brasileiros com outros tipos de brasileiros, se é que você me entende. Li na biblioteca (é figurinha fácil nas estantes), e são sete histórias que foram compiladas a partir da produção do autor. 


    ED
    Depois desta espécie de "Volta ao Mundo em 14 Quadrinhos", fica só esperando se alguém vai notar a ausência de um certo personagem de quadrinhos que roda o mundo acompanhado de um cãozinho e cujos muitos quadrinhos podem ser tema de uma postagem futura. 


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